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Nobis Trabalho e Educação

Nobis Trabalho e Educação

Gyuri Menghini Ballalai
Existe o conhecimento que o cavalo ao sentir sede irá atrás do bebedouro ou mesmo córrego mais próximo para se saciar. A vontade de se hidratar é algo natural (tanto dos animais quanto dos seres humanos).  Essa relação natural de que se tem da sede a vontade de se hidratar é usada pelo pedagogo Celestin Freinet para explicar o processo de busca de aprendizado. Em uma forma só existirá vontade de aprender assim que existir a sede, e quando ela houver o indivíduo irá atrás de uma fonte onde poderá beber do conhecimento. Essa dinâmica nos deixa com dois problemas a serem resolvidos. O primeiro é aquilo que dá sede a alguém, para sentir sede é preciso ter um estimulo. Em segundo temos o problema de onde estará essa fonte para nos saciar.
Voltemos ao exemplo do cavalo, se ele não se movimentar irá demorar muito para sentir vontade de beber água. Portanto, é necessário que o cavalo se exercite para que sinta sede, a exemplo, ter um dia em um extenso trabalho no campo, ou mesmo em liberdade correr pelos pastos sob o sol fará com que ele busque uma fonte de água para se saciar ao fim do dia. Com esse exemplo podemos dialogar com aquilo que cria a vontade do ser humano em aprender. Se a pessoa fica estática, ela dificilmente terá vontade de buscar um aprendizado. Mas caso ela venha a trabalhar, ou explorar o mundo a sua volta ela criará o fator de curiosidade. A curiosidade dentro do processo de aprendizado é de vital importância. Ao buscar com afinco sobre algo, um modo melhor de realizar seu trabalho, o entender dos motivos os quais acontecem as coisas cria uma quase insaciável vontade de aprender.
É através da descoberta do mundo e pelo trabalho que nos tornamos sensíveis à nossa volta e a nós mesmos. O trabalho nos torna mais críticos ao que se faz e nos torna mais hábeis a resolvermos problemas que nos aparecem, tantos os relacionados ao mundo quanto aos próprios.  A partir das descobertas geradas pelo trabalho começamos a construir um caminho para o saber. Os trajetos gerados pelo trabalho engrandecem a sede que temos para conhecer, seja uma nova forma de executar algo ou uma solução para um problema encontrado durante um processo de produção.
Para fechar esse ciclo voltamos a história do cavalo. Após um longo dia de trabalho o animal se sente cansado e certamente com sede, buscará assim que possível uma fonte de água para se saciar. Um bebedouro, um lago ou um riacho são algumas dessas fontes que ele irá atrás. Caso não exista algo por perto certamente o cavalo irá ficar exausto e ter o risco de morrer. Assim se relaciona o processo de aprendizagem, se após um longo dia de trabalho e descobertas não existir uma fonte onde possa se saciar a sede do conhecimento ele irá se estagnar, não existirá mais ânimo e o trabalho irá ficar empacado em um problema a ser resolvido.
O acesso a uma fonte de saber é de grande importância na construção do conhecimento, seja essa fonte um espaço formal ou não formal de aprendizagem. Esse local (sendo físico ou não) é de grande importância para a construção do conhecimento. Podemos chamar esses espaços de universidades, cursos técnicos, colégios, centros de aprendizados. Não são essas as verdadeiras fontes do conhecimento e do saber de modo próprio, mas sim facilitadores de se encontrar uma fonte de saber.
Tomamos como exemplo um aprendiz de mecânico, ele trabalha em um carro e encontra um problema que não consegue resolver. Se não houver um caminho para se demonstrar uma solução essa situação não se resolverá e assim existirá frustração. Entretanto se o trabalhador tiver acesso a uma fonte de saber o caso poderá ser resolvido, e assim criará uma nova rede de conhecimentos que poderão ser úteis para futuros problemas e seus possíveis desdobramentos.
Essa problematização gera um ciclo, primeiro existe a atividade que é realizada pelo trabalhador, dela se criam problemas, soluções, entraves, descobertas, em sumo um acontecimento que crie uma sensação de vontade de aprender sobre um assunto. Essa curiosidade criada não pode esperar e ser apagada, tem de ser alimentada. Com isso entram os sujeitos que direcionam para as fontes de saber e aprendizagem. Essas fontes fazem descobrir novos desdobramentos das atividades realizadas. Por fim se volta à atividade em que estava no começo, agora tendo uma nova perspectiva, a nova resolução de um problema, o saber do motivo das coisas acontecerem, respostas mais ágeis a problemas antigos e enfim novos desafios que possam surgir.
O trabalho serve ao conhecimento assim como a reciproca é verdadeira. Vemos aqui uma relação entre o quanto se sabe com a qualidade do trabalho. Se o trabalhador é capaz de raciocinar melhor será o trabalho, se a atividade proporcionar espaço para a aprendizagem o sujeito será mais habilidoso para realizar suas tarefas. Portanto é cada vez mais importante se perceber a boniteza que é o processo de aprendizagem. O adquirir de saberes torna o serviço mais digno e suas trocas mais valiosas.
Por fim se entende que para a criação de uma relação mais justa entre o trabalho e o saber é necessário que exista uma democratização do acesso ao conhecimento. De nada vale se a fonte for para poucos, se ela for torna o emprego pobre e fraco, que se estagna com facilidade. Independe de a fonte ser para um caminho mais acadêmico ou tecnicista, o acesso deve ser geral, para que juntos se crie uma sociedade que oferece um trabalho mais digno, que tenha espaço para o crescimento pessoal e de todos seus pares. A universalização do saber precisa ser defendida para que não se mantenha em uma reclusão elitizada. Ter acesso ao conhecimento para saciar a sede de curiosidade é um direito das pessoas, um fator que leva a uma melhora das condições individuais e de trabalho.


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